O nosso personagem é o grão mestre em Muay Thai Flavio Almendra. Além da arte tailandesa ele também é 6º Dan e é treinador de Boxe (FPERJ), desde 1991. Como atleta, Almendra foi cinco vezes campeão carioca de Boxe Tailândes e três vezes campeão brasileiro na mesma modalidade. Ainda em nível estadual ele foi campeão de Kickboxing (Low Kick) e três vezes campeão de Boxe amador da “Copa Nobre Arte Rio de Janeiro.”

Como árbitro, Flavio Almendra começou em 1990 no Muay Thai e em 1993 no boxe. Desde 1995 é árbitro internacional de MMA onde nos últimos 10 anos é figura carimbada entre os cinco melhores árbitros de MMA do Brasil, ganhando duas vezes o troféu Osvaldo Paquetá (Oscar do MMA brasileiro), de melhor árbitro de MMA do Brasil.

Como treinador, Almendra foi assistente do Mestre Cláudio Coelho (boxe), tendo a incumbência de ajudar a treinar grandes nomes do MMA Brasileiro. Entre outros: Marco Ruas, Renzo Gracie, Murilo Bustamente, Vitor Belfort, Carlão Barreto, Pedro Rizzo, Royler Gracie, entre outros.

Atualmente ele é presidente da Liga de Muay Thai Brasil, entidade que promove o maior campeonato de Muay Thai do Brasil em número de etapas e de pontos corridos, Sem nenhum apoio, da iniciativa privada e nem dos governos municipal, estadual ou federal.

A entidade que está em franca expansão  e hoje conta com filiados no Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Distrito Federal, Bahia e Paraná já conta com quase 100 equipes filiadas e mais de 1.200 atletas cadastrados.

Para conhecer um pouco mais da rotina do mestre, a Revista Bushido Brasil foi bater um papo com ele. Confira.

Revista Bushido Brasil – Qual sua formação e quais artes marciais você treinou e ainda treina?

Flavio Almendra – Tenho 50 anos, nasci e moro no Rio de Janeiro e sou formado em educação física pela Universidade Estácio de Sá. Comecei nas artes marciais com 15 anos, então já estou no meio há 35 anos. Eu comecei treinando judô, fiz taekwondo, aikido, luta livre esportiva, kickboxing, boxe e fui parar no muay thai.

RBB – Com quem você fez muay thai?

Flavio Almendra – A minha formação toda, da faixa branca até a faixa preta foi com o mestre Wagner Coelho.

RBB – Porque a escolha pelo muay thai?

Flavio Almendra – É uma arte marcial que sempre em fascinou e foi uma verdadeira paixão a primeira vista. O respeito, a confiança, a hierarquia foram coisas que eu sempre busquei. Eu fui o zero um da equipe águia do mestre Wagner Coelho. Me tornei faixa preta em 1989 e desde então venho trabalhando com esta arte. Em 2012 fui elevado a grão mestre faixa preta e dourado e a partir daí me tornei também presidente da liga de muay thai.

RBB – Você ensina sua arte onde? Onde os leitores da revista Bushido Brasil podem te procurar para aprender?

Flavio Almendra – Tenho duas academias. A Gold Fighters que é minha academia que fica no Jardim Botânico aqui no Rio de Janeiro dentro do Clube carioca. Tenho aqui 100 metros quadrados de tatame e é que dou aula todos os dias. Tem também a unidade do Grajaú que é nova. Além das academias em tenho também um projeto social, que eu considero muito importante porque é lá que eu devou um pouco do que o muay thai me deu. Esse projeto fica dentro da escola de samba Vila Isabel onde eu atendo a galero do morro dos macacos e adjacências

RBB – Com relação ao MMA como surgiu na sua vida?

Flavio Almendra – O MMA surgiu na época do Carlson. Ainda era vale tudo, não era MMA. Hoje o MMA é um esporte. Naquela época eu era muito envolvido porque como eu era aluno de boxe do mestre Cláudio Coelho nós vivíamos envolvidos com os lutadores da época como o Carlão Barreto, Royler Gracie, Renzo Gracie, Ralph, Murilo Bustamante, Pedro Rizzo, Marco Ruas, Fabio Gurgel, Vitor Belfort, Wallid. Então eu treinei com essa galera toda e isso foi muito importante para mim e para o meu crescimento.

RBB – E essa vida de árbitro e agora de artista de TV?

Flavio Almendra – Bom chegou uma época que conhecíamos o pessoal dos dois lados, do jiu-jítsu e da luta livre e não dava para lutar. Iríamos nos tornar adversários de alguém e essa não era nossa intenção. Então precisava de alguém para intermediar os combates. Eu sempre fui bastante estudioso, sempre gostei de história e fui me aprofundando. Aí me chamaram pra arbitrar lutas na época do vale tudo. Eu arbitrei o Shooto 1, 2 e 3 na época que não era nem do Déde (Pederneiras) ainda, alguns eventos que não tinham nome, nem tempo, nem luva. Em 2014 eu fui convidado pela autora da novela Malhação para ser coordenador de artes marciais da novela já que ela tinha se inspirado em mim, na minha história para fazer a história do Gael (Eriberto Leão). Então eles acabaram me homenageando dentro de um período da novela. Alguns bordões que eu uso nas minhas aulas também eram usados na história. “Quem não morre não vê Deus”, “Tá com sede bebe o suor”, “O inferno é verde”, “Tá no inferno abraça o capeta”, “Morto não fala então continua treinando”, “Quer moleza mastiga água”, “Força e honra.” Então muito dos lemas que eu uso na minha vida foram usados na novela. Depois trabalhei com o Cauã Reymond, com o Du Moscovis, com o Juliano Lahan, o Duda Nagle e o Oscar Magrini em outra temporada de Malhação e agora com a Paola Oliveira sendo árbitro em “A força do querer.”

RBB – O que te da mais prazer de fazer quando está longe dos tatames, dos cages e dos ringues?

Flavio Almendra – Bom em 2014 e 2015 fui o vencedor do prêmio Osvaldo Paquetá que é o Oscar do MMA brasileiro e atualmente também sou comentarista do canal Esporte Interativo. Eu comento lutas lá tanto nacionais quanto internacionais. Eu tenho estudado mais ainda o MMA para poder passar aos telespectadores uma melhor realidade dos lutadores e também elucidar as regras para o pessoal leigo.

55RBB – Você se considera uma pessoa zen?

Flavio Almendra – Eu me considero zen. Não tanto quanto eu gostaria, mas me considero sim. Na medida do possível eu me considero. Trabalho muito, a vida é muito corrida, mas o pouco tempo que tenho com a família eu procuro aproveitar bastante. Meus finais de semana não existem, mas mesmo com tudo isso eu sou um cara com um pavio gigantesco e acredito que a gente possa estar sempre aprendendo e melhorando cada vez mais. Eu sou aberto para a vida, A gente vai construindo a nossa estrada a cada dia. A maior mensagem é essa: humildade sempre e sempre aprender para melhorar a nós mesmos. A maior batalha é contra você próprio. A única coisa que temos de verdade é o nosso conhecimento. O aprimoramento tem que ser diário. Acho que essa é a m,aior mensagem que eu posso deixar aos leitores.

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