Preparar uma boa alimentação não é para qualquer um. Na cozinha zen não é diferente

A época do ano com o friozinho chegando é sempre uma boa data para se preparar alimentos mais que especiais. Mas você sabia que é possível comer bem e tratando seu prato como se ele fosse um grande companheiro de jornada? Pois é: A cozinha zen é tratada da maneira mais nobre possível. O “tenzo” (cozinheiro) é preparado física e espiritualmente para tal ato. Num templo zen, por exemplo, a preparação da refeição se condensa ao que chamam de shojin ryori (comida vegetariana). De acordo com os estudiosos Scott e Doubleday autores do “Livro de Ouro do Zen”, o shojin ryori leva consigo a ideia de cozinhar o desenvolvimento espiritual e tem a finalidade de contribuir para a saúde física, mental e espiritual de quem vai compartilhar o alimento.

Esta culinária teve sua origem na China e foi levada ao Japão por monges que por lá estiveram. Um dos mais respeitados e famosos monges desta arte foi Zenji Dogen que escreveu dois tratados sobre o assunto: “Guia para o Supervisor da Cozinha” e “Instruções para o Cozinheiro Zen”.

Mestre Dogen dizia: “A tarefa do tenzo só é confiada àqueles virtuosos que mostram sua fé nos ensinamentos budistas, tem o valor da experiência e possuem o coração reto e benevolente. Assim é, porque a tarefa de tenzo envolve a pessoa toda”.

É isso o que a cozinha zen prega. Sempre fazer os alimentos com fé e da forma mais concentrada que possamos conseguir. “Quando lavar o arroz, focalize sua atenção no lavar; não deixe nenhuma distração se insinuar” dizia o monge.

Mesmo que o nosso costume não seja o dos alimentos vegetarianos, nada nos impede de fazermos os nossa comida da forma mais concentrada possível. Esta já é uma forma de aprendizado e uma forma de ficar zen.

Não importa se o que vamos comer sejam legumes e verduras ou um suculento filé. O que importa é a forma franca que colocamos nele. Vale a nossa intenção.

É bom deixar claro, que os budistas não comem carne por questão de princípios e não porque ela faz algum mal, longe disso.

Em 1982, Soei Yoneda, escreveu “Good Food from a Japanese Temple” e dele tiramos a seguinte citação: “É imperativo para o tenzo envolver-se ativa e pessoalmente na escolha e preparação dos ingredientes. O tenzo também inspeciona como o arroz é lavado, a fim de garantir a ausência de areia ou saibro. Isto ele cuidadosamente descarta, mas não, sem estar constantemente vigilante até para evitar que um grão de arroz seja, sem querer, desperdiçado” revelou.

Então como vemos não é tão complicado desenvolver o hábito para este tipo de culinária. A priori todos saímos ganhando, o cozinheiro e a pessoa que vai comer daquela comida.

Há inclusive nesta culinária, as vezes em que o shojin é chamado de Yukuseki (remédio). Aqui a alimentação zen ganha status de medicamento, pois ela tem o mesmo princípio do sistema da medicina ayurvédica da Índia. A escolha e a preparação dos alimentos são determinantes na cura de doenças. Por isso é que os budistas comem comidas vegetarianas.

Uma outra característica da culinária shojin é determinada pelo não desperdício de alimentos. Nela até mesmo as cascas dos vegetais são aproveitadas. Esse é um atributo importante dessa culinária, pois, nosso país é o que mais desperdiça comida no mundo.

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