A obra de autoria do mestre Yagyu Munenori, que viveu entre os séculos XVI e XVII, é uma reflexão sobre a “Não Espada”.

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Traduzido para o português por Éder Carlos Pereira Neves e com supervisão do Shihan Wagner Bull, a leitura tem como tema central a arte de utilizar a espada muito mais como instrumento de vida do que de morte, ou seja, controlar o oponente por meio da preparação espiritual para lutar, muito mais do que pela luta propriamente dita.

A edição do livro aqui no Brasil é da editora Cultrix, especializada neste tipo de publicação.

A filosofia de Munenori vai muito além da esgrima ou até mesmo das artes marciais.

Suas ideias são aplicáveis em muitos aspectos da vida, como nos negócios e nas relações humanas, nos quais diversas vezes a maior vitória não é derrotar o oponente, mas torná-lo parceiro, evitando o conflito.

Excelente volume para quem quer conhecer um pouco mais da arte japonesa da espada.

Lembrando que Yagyu Munenori e Myiamoto Musashi, outro lendário nome das artes marciais, viveram na mesma época e tem belíssima história a ser contada.

O suposto encontro de Musashi com o mestre é conhecida no Japão como “Tajima no Kami.”

Yagyu era um daimyo menor e instrutor de espada oficial do Shogun Tokugawa Ieyasu.

Certo dia mestre Yagyu estava cuidando de seu jardim e foi interrompido por um funcionário que veio anunciar que um espadachim estava no portão, pedindo uma disputa. O mestre suspirou e deu uma flor, recém-cortada, para o servo entregar ao indivíduo com seus devidos lamentos, pois ele estava agora aposentado e não aceitava mais disputas como antes.

O espadachim era justamente Miyamoto Musashi, que humildemente aceitou o gesto e a oferta da flor.

Ao examinar quão incrivelmente fino era o corte no caule da flor comentou:

“Eu não poderia sinceramente derrotar aquele que cortou esta flor. De qualquer maneira, por isso, vou ser o melhor no meu caminho”.