A arte da espada é outro caminho do zen para se conseguir viver com controle sobre si mesmo e longe do estresse.

Na época medieval, no Japão, o Kenjutsu, ou a arte da espada “(…) era de suma importância para os soldados em combate e o principal método de defesa. Essa prática, na antiguidade, era de fato violenta. Hoje, o Kendô ocupa este lugar como a arte da espada, que também é um caminho de autoconhecimento, uma via espiritual”, relata Vera Lúcia Sugai no livro “O caminho do guerreiro.”

Entretanto, é preciso entender a diferença entre Kenjutsu e Kendô. De acordo com o mais conceituado instituto desta arte marcial no Brasil, o Instituto Niten, o termo “kenjutsu” apareceu pela primeira vez em 1281, após as tentativas dos mongóis de invadir o Japão. Nessa época, os samurais começaram a aprimorar as técnicas da espada, levando o desenvolvimento desta arte a um nível nunca alcançado por nenhuma outra cultura na história da humanidade.

Ela atingiu seu apogeu durante o período Edo. Ironicamente, neste período de 200 anos de paz, as artes da guerra floresceram. Mais do que simples técnicas de combate, o Kenjutsu se tornou um caminho de elevação espiritual. Este objetivo permanece até nossos dias, fruto das influências do zen.

Após a Segunda Grande Guerra, sob ordens dos Estados Unidos, as artes marciais que visavam manter o espírito nacionalista japonês foram proibidas.

Após sete anos de proibição, formou-se um comitê para a re-elaboração do Kendô, que deveria seguir os moldes dos esportes modernos, como o basquete, basebol ou futebol. A elaboração do Kendô moderno levou três anos, e foi apresentado ao governo da ocupação como uma forma de esgrima em que se usavam as duas mãos.

O Kendô ficou como sendo uma síntese do Kenjutsu, mas isso não tirou dele o brilho natural da arte zen.

Então, quem pratica Kenjutsu também pratica Kendô, mas quem pratica Kendô não conhece kenjutsu. Isso acontece porque o Kendô é uma versão simplificada do kenjutsu e adequada para a prática esportiva. Praticando kenjutsu, aprende-se todas as técnicas de Kendô, além de posturas e golpes desconhecidos pelos lutadores de Kendô.

O tradicional Kenjutsu deu lugar ao Kendô por forte imposição americana, o que era de se esperar após a Segunda Guerra. Mas afinal de contas, como essa arte pode nos ser útil em tempos modernos?

O Kendô também nasceu para ser um caminho de autoconhecimento. Desenvolvendo-se nessa arte, a pessoa tem a possibilidade de se “desligar” do mundo, ou seja, do nosso cotidiano, do estresse, que é que mais nos abala nos dias de hoje. O Kendô, como qualquer outra arte zen, tem a finalidade de nos levar a algo que nunca experimentamos, a plenitude do ser.

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