O mestre Shunryu Suzuki autor do livro “Mente Zen, mente de principiante” entende a questão proposta no título da seguinte forma:

“Consta em nossas escrituras que existem quatro tipos de cavalos: os excelentes, os bons, os fracos e os maus. O melhor cavalo corre tanto devagar quanto velozmente, para a direita e para a esquerda, atendendo à vontade do cavaleiro, antes mesmo de enxergar a sombra do chicote.”

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Ele continua:

“O segundo corre tão bem quanto o primeiro, antes mesmo que o chicote atinja sua pele; o terceiro corre quando sente a dor do chicote em seu corpo; o quarto só corre quando a dor já penetrou até a medula dos seus ossos. Imagine como é difícil, para este último, aprender a correr!”

É justamente aqui que encontramos o cerne do zen. Nem sempre o primeiro ou “o excelente” leva vantagem sobre aquele que vem atrás.

No zen todos são iguais e aquele que era o pior pode ficar até melhor do que o que já é.

Viver o zen de forma continua ajuda o ser humano a viver melhor e com mais prazer a vida.

Vejamos o que mestre Suzuki diz:

“Ao escutar esta história, quase todos queremos ser o melhor cavalo. Se for impossível, queremos ser pelo menos o segundo. Eu acho que, em geral, esse é o entendimento que temos da história do Zen. Você poderá pensar que, sentado em zazen*, descobrirá se é um dos melhores ou dos piores. Isso, porém, é um entendimento errôneo do Zen.”

Continuamos.

“Se você pensa que o objetivo da prática zen é treiná-lo para se tornar um dos melhores cavalos, terá um grande problema. Não é este o entendimento correto. Se praticar o Zen de maneira certa, não importará se você for o melhor ou o pior cavalo. Se você considerar a compaixão de Buda, como acha que ele se sentiria em relação aos quatro tipos de cavalo? Aqueles que se sentam com perfeição física, geralmente levam mais tempo para alcançar o caminho verdadeiro do Zen, o cerne do Zen. Mas aqueles que tem grandes dificuldades encontrarão nele mais sentido.”

Então a conclusão:

“Por isso, penso às vezes que o melhor cavalo é o pior, e o pior, o melhor.”

Verificamos com as colocações do mestre, que no zen todos somos iguais.

Não há diferença de classe social, raça, cor e sexo.

A prática zen é interior, vem de dentro de nós mesmos. Nos tornamos melhores, quando enxergamos no próximo nós mesmos.

De acordo com Eduardo Martins, discípulo zen-budista do Templo Zu Lai que fica em Cotia na grande São Paulo, o zen é justamente isso, algo que vem de dentro.

“O zen fica em nosso interior. Quando encontramos dentro de nós, inspiração, abertura e equilíbrio, nossa vida se torna genuinamente feliz e digna de ser vivida e podemos encontrar felicidade até no nosso trabalho.”

Para o monge tibetano, o professor e escritor Tartuang Tulku, “em vez de gastar nossa energia e potencial humano em pensamentos e atos inúteis,começamos a agir de maneira construtiva, pois a base do caminho espiritual é o desenvolvimento, em nós mesmos, do que é verdadeiramente equilibrado, natural e significativo.”

Por fim, o grande problema é que nós seres humanos sempre achamos que não podemos achar este eixo existencial dentro de nós.

Sempre procuramos fora. Não é difícil encontrarmos pessoas que colocam a culpa de tudo o que acontece na vida nos outros.

Talvez somos uma dessas pessoas. Nossa mudança se da quando começamos a ver e rever nossos procedimentos, e então quando nos aceitamos do jeito que somos.

Reconhecendo que aborrecimentos inevitavelmente vão vir à tona, podemos começar a rever nossas convicções e então achar este eixo que fará de nossa vida, se não um mar de rosas, um caminho menos tortuoso e com menos espinhos.

Ser zen então, é antes de tudo, pensar numa melhor qualidade de vida, com menos estresse, com menos agitação, com menos aborrecimentos.

Quem não quer viver melhor?

*Zazen – posição de meditação

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