Apesar de contar com cerca de 780 estilos diferentes de Kung-Fu (Wushu) na China, podemos dizer que dois deles são os mais conhecidos mundialmente e que os outros são ramificações que vieram surgindo das famílias ao longo de milênios. Shaolin e Wudang, o primeiro que utiliza a chamada “escola externa” que utiliza mais a explosão dos músculos e o segundo que utiliza a “escola interna” onde os treinos priorizam mais a meditação e os exercícios de controle da energia, o Tai-Chi-Chuan (arte do punho supremo) e o Qi Gong (controle da energia interna).

Em Barueri, existem seis núcleos da linhagem Mao Chuen (punho do gato) sob a responsabilidade do mestre Francisco Crisante Oliveira Silva. Atualmente, o mestre com 40 anos de prática tem sob sua responsabilidade 450 alunos das escolas de esportes da cidade. Fora o Mao Chuen, mestre Francisco também é responsável pelas aulas de Tai-Chi, Qi Gong e também de Sanda (boxe chinês).

A Revista Bushido Brasil bateu um papo com o mestre que entre muitas coisas destacou que a “paciência é uma virtude” e que a formação de um aluno de sua linhagem leva ao menos 11 anos de muito treino.

As crianças lotam as academias gratuitas da prefeitura durante a semana. Fotos: fabio Oscar/Bushido Brasil

Revista Bushido Brasil – Quantos estilos de kung-Fu existem ao redor do mundo?

Mestre Francisco – São 780 estilos na China, mas atualmente nós estamos tentando unificá-los. Na verdade esse processo vem desde 1959, mas é difícil porque o kung-fu vem de família e cada uma tem o seu estilo. Então o que chamamos de wushu (kung-fu) moderno é uma tentativa de unificar formas e estilos para que possamos ter uma única competição.

RBB – Qual é a linhagem que o senhor adota nas escolas de esportes de Barueri

Mestre Francisco – Nossa linhagem aqui é o Mao Chuen (punho do gato). Nós trabalhamos a técnica de três estilos (tigre, dragão e o louva-deus).

RBB – Com tantos estilos diferentes como fica a cabeça do praticante e também como é passada a técnica?

Mestre Francisco – É muito difícil todo mundo ter a mesma visão técnica, porque cada um vem de uma linhagem diferente. Então atualmente a universidade de Pequim, por exemplo, vem tentando unificar o moderno com o tradicional, mas é difícil, porque a disciplina tradicional está muito ligada à filosofia de vida e não só ao lado esportivo. Temos muito cuidado pelo ser e pela unificação com a mãe natureza. O ser humano de hoje está muito afastado deste aspecto. Então a arte marcial, e aqui falo do kung-fu, que é a arte que eu trabalho, está muito ligada a este aspecto.

RBB – Como foi o começo do kung-fu na cidade de Barueri?

Mestre Francisco – Eu sempre tentei colocar o kung-fu nas escolas de esportes aqui em Barueri. Em 2006 eu fui chamado para dar aula no parque municipal Dom José. Eu imaginava que era de kung-fu, mas na verdade era de Tai-Chi-Chuan. As aulas foram crescendo, fui colocando algumas técnicas e no começo de 2011, eu já com mais de 150 alunos, fui convidado para colocar o projeto de kung-fu nas escolas de esportes.  Atualmente estamos em seis núcleos com mais de 450 alunos.

RBB – Quais são as artes ou estilos que o senhor ensina na cidade?

Mestre Francisco – Então o estilo que eu trouxe aqui para Barueri é o Mao Chuen, mas em parceria com a Federação Paulista e a Confederação Brasileira eu também trouxe o Tai-Chi-Chuan, o Qui Gong, o Sanda e o Wushu Moderno. Atualmente a formação de um faixa preta no estilo Mao Chuen é de aproximadamente de 11 anos. Na minha linhagem, por exemplo, até a faixa preta, o praticante tem que dominar aproximadamente 3 mil movimentos.

RBB – Qual a diferença do kung-fu para o wushu?

Mestre Francisco – Na verdade nenhuma. É que kung-fu na China é como se fosse uma gíria. Lá o correto para dizer é wushu. Kung-fu quer dizer trabalho árduo. Então podemos dizer que qualquer pessoa que desempenha um trabalho com afinco pratica a arte. Contudo sabemos que não é bem assim.

RBB – Tai-Chi-Chuan e Qi Gong são artes marciais?

Mestre Francisco – Elas são artes marciais da linha interna. Elas trabalham respiração e relaxamento e a busca do equilíbrio do ki (força interna).

RBB – O que o senhor pode falar sobre o MMA que está em alta ultimamente?

Mestre Francisco – Não posso falar muito de MMA, pois acompanho pouco, mas pelo pouco que os observo, eles só se preocupam com competição e não com uma formação pedagógica. É uma luta moderna, um esporte. Eu venho de uma escola tradicional e eu estou conectado a muita coisa, como o processo de formação de caráter e disciplinar que muitas vezes a gente não vê nas escolas modernas.

RBB – Algum tempo atrás na China, um lutador de MMA enfrentou um mestre de Tai-Chi. O combate durou poucos segundos e colocou em dúvida as escolas tradicionais. O que o senhor pode dizer a respeito?

Mestre Francisco – Existem bons e maus praticantes. Existe muita gente mal preparada. Quando se fala em desafio entra o ego e uma série de conceitos fora de minha área. Acho que quando existe algo assim, a pessoa deve estar preparada pra tudo. Não existe melhor arte marcial, o que existe na minha visão é melhores praticantes. Acho que foi uma luta estupida que não deveria ter ocorrido.

RBB – O senhor se considera uma pessoa zen?

Mestre Francisco – Eu acredito que eu sou zen. Atualmente é difícil por causa da correria, mas eu gosto de ter meus momentos de concentração. Eu tento buscar o equilíbrio. A paciência é uma virtude e eu busco muito isso, pois me ajuda muito lá fora.

Comments

  1. Até que idade participa?, e como fuciona as aulas são, semanais ou só em finais de semana como sábados e domingos ?

  2. Ligue no 4199-1717 e tenha mais informações.

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