Um capítulo notável da história de jiu-jítsu foi escrito na tarde do domingo, dia 23 de julho, na Arena Carioca 1, no Parque Olímpico do Rio de Janeiro. Os dois únicos decacampeões mundiais da modalidade mediram forças, e foi o braço de Roger Gracie o erguido ao final do embate. O épico triunfo foi sua despedida dos tatames, encerrando sua trajetória nas competições de jiu-jitsu de maneira apoteótica.

Roger tem o braço levantado ao final do confronto contra Buchecha. Fotos: Patrick Liberato

Os fãs foram presenteados por uma disputa do mais alto nível de jiu-jitsu no tatame montado pelo Gracie Pro no centro da arena. Buchecha iniciou a luta investindo em tentativas de quedas, mas foi frustrado pela boa defesa do oponente. Quando o relógio se aproximava dos sete minutos de combate, o grande momento: Roger conquistou as costas de Buchecha e de lá ajustou o estrangulamento derradeiro. A história estava escrita. No choque de 20 títulos mundiais, aos 6 minutos e 52 segundos de luta, Roger Gracie venceu a revanche de jiu-jitsu mais aguardada do século.

O golpe selou o encerramento de uma vida dedicada às competições. Aos 35 anos, Roger anunciou sua despedida, e não poderia ter sido de uma maneira melhor.

“Foi a vitória mais significativa da minha carreira. Pela volta a competir de quimono, pelo tempo que eu estava ausente, pela primeira luta que fiz contra o Buchecha e pelo posto que ele ocupa hoje no cenário mundial, que é o de homem a ser batido. Encerro minha carreira com chave de ouro”, comemorou o grande vitorioso do evento.

Além do duelo no tatame, os torcedores e simpatizantes de ambos os lutadores também protagonizaram uma acirrada disputa nos cânticos para apoiar o seu favorito. O público total do dia foi de 2.700 espectadores.

“Foi um dia incrível, um evento para ficar na memória de toda a comunidade do jiu-jítsu. Nossa modalidade precisava de um marco como foi o Gracie Pro, como foi a revanche entre Roger e Buchecha. Quando eu estiver velhinha, vou contar como foi esse evento para meus netos e bisnetos”, brincou Kyra Gracie, organizadora do evento.

A atitude pós-luta dos grandes protagonistas da edição inaugural do evento tornou o confronto ainda mais grandioso. Após o resultado, Buchecha fez questão de retornar até o tatame onde Roger ainda comemorava seu triunfo para parabenizar o vencedor.

“Eu cometi um erro, e contra o Roger não se pode errar. Paguei o preço”, analisou Buchecha. “Tenho certeza que ele vai me passar em números de títulos mundiais, terá a carreira mais vitoriosa do jiu-jitsu. Agora é levantar a cabeça e bola para frente”, consolou Roger.

 Faixas-pretas abrem o espetáculo

Antes de Roger e Buchecha pisarem no tatame, as finais das categorias da faixa-preta agitaram o palco do show. No feminino, Tayane Porfirio finalizou Jessica Constance na americana para faturar o absoluto. Antes disso, Jessica Bate-Estaca, atleta do UFC, foi superada por Maiara Angelica na final do peso-médio. Já no meio-pesado, Jessica Swanson levou a melhor sobre Glaucia Braga para subir no lugar mais alto do pódio.

Poucos minutos antes da superluta do evento, Celsinho Venicius despachou Lucas Araújo para ser campeão no peso-leve. Entre os pesadíssimos, Antônio Braga Neto finalizou Antônio Assef com uma kimura, enquanto Rafael Bragança foi o melhor entre os super-pesados. Gustavo Saraiva anotou 9 a 0 sobre Isaque Paiva para ser campeão absoluto. Isaque, porém, venceu a categoria peso-pena. Alexandre Cavalieri, Marcos Junior, Luiz Eduardo Cabral e Jeancemy Silva dos Santos conquistaram, respectivamente, a medalha dourada das categorias médio, pesado, pluma e médio-pesado, e também fizeram a festa no Gracie Pro.

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