A obesidade é um dos maiores problemas de saúde pública no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e incide de forma crescente sobre crianças e a adolescentes. A projeção é de que, até 2025, o número de crianças com sobrepeso e obesidade no mundo pode chegar a 75 milhões. Paralelamente, existe um esforço de introduzir a prática de exercícios físicos na infância e adolescência, para que os indivíduos assumam o hábito desde cedo. Nesse sentido, a novidade são os treinamentos funcionais, que envolvem diferentes modalidades.

Há cerca de um ano, observando a demanda de pais interessados em corrida que não tinham onde deixar seus filhos durante o treino, o treinador físico Danilo Faria começou a acolher crianças de 5 a 12 anos para um treinamento com metodologia própria.

“Começamos a trabalhar com as crianças que já estavam indo para o Parque do Sabiá com os pais, mas como lidar com crianças exige uma atenção grande, tanto física, quanto psicológica, criamos um treino personalizado, que envolvem várias atividades lúdicas”, afirmou Danilo Faria. Atualmente, a turma conta com 15 crianças e jovens.

Direcionados ao desenvolvimento motor, ganho de resistência e de tônus muscular e iniciação à corrida, os exercícios são elaborados para que os pequenos atletas tenham prazer na prática de exercícios. “As crianças exigem uma vasta experiência de movimentos. Por isso, propusemos uma vertente física diferente a cada semana.

Na época das Olimpíadas, por exemplo, trabalhamos todas modalidades do atletismo. No mês que vem, para incentivarmos a socialização, vamos propor jogos coletivos. Iniciamos a aula com um alongamento, desenvolvemos as brincadeiras propostas e finalizamos de forma leve e divertida, disse Faria.

A educadora física Gabriela Resende Barbosa também criou uma turma para desenvolver treinamentos funcionais com crianças e adolescentes, na academia onde trabalha. Formada em junho do ano passado, a turma conta com 14 crianças, com idades entre 8 e 12 anos.

Segundo a personal, o resultado não é imediato, pois envolve os hábitos de cada família, mas uma semente é plantada em cada jovem, para que adote progressivamente hábitos mais saudáveis, não apenas nos exercícios físicos, mas também na alimentação.

“Proponho atividades motivantes, para que não se entediem. Aproveitamos toda a estrutura da academia, oferecendo noções de musculação, circuito de cones no tatame, jump, step, entre outros. E também exploramos o entorno. Pelo menos uma vez ao mês, vamos a uma praça para treino de agilidade, e ao Teatro Municipal, para brincarmos com diferentes modalidades como skate, bike, patins, entre outros”, afirmou Gabriela Barbosa.

Jovem autista se achou no atletismo

Os benefícios da prática de esportes vão além do desenvolvimento físico, atingindo níveis emocionais e sociais. A história de Bruno Andrade Mamede, de 14 anos, que coleciona 50 medalhas de participação em corridas, é a prova disso. Diagnosticado com autismo, o garoto se despertou para a corrida depois que o pai, Rafael Mamede, começou a praticar a modalidade, em 2011.

Segundo a mãe, Beatriz Andrade, a família já tinha proposto outros esportes ao filho, mas nenhum deles foi tão certeiro quanto a caminhada, iniciada em 2012. “Começamos devagarinho, eu e ele, dando passeios pelo bairro, até irmos para o Parque do Sabiá. Logo, ele conseguiu dar a volta completa e começou a correr”, disse Beatriz Andrade. Menos de um ano depois, Bruno Mamede já participava de uma corrida de rua de 100 m e levou a primeira medalha.

“Ele segue um plano funcional traçado por uma treinadora física, que não envolve apenas corrida. Ele está em movimento toda a semana”, disse Rafael Mamede.

Nas terças, quintas e sábados, Bruno Mamede participa de uma aula promovida pela Futel. Nas quartas e sextas-feiras, faz natação e musculação, respectivamente. “Ele desenvolveu altura, está mais comunicativo e calmo, menos ansioso”, afirmou o pai do jovem.

Pais e filhos aprova desenvolvimento de atividades

Depois de experimentar diferentes esportes, como futebol, natação, jiu-jítsu, e tênis, Daniel Vieira Bueno, de 11 anos, finalmente se encontrou no treinamento funcional. O trabalho desenvolvido pela educadora física Gabriela Resende Barbosa teve origem na dificuldade do pequeno de se adequar às outras modalidades.

“Buscando alternativas para meu filho, procurei a treinadora para propor que fosse personal dele, quando ela teve a ideia do projeto”, disse Daniela Bueno Vieira.

“Estou gostando muito. Foi o único lugar que pude me sentir bem, fazer coisas que não são chatas com pessoas de que gosto. O legal é que cada dia fazemos uma coisa diferente, não só no mesmo lugar. Vamos pra praça e pro teatro. Eu senti que meu condicionamento físico melhorou muito. Antes não conseguia correr e hoje consigo muito, também tive o resultado que eu queria, que era emagrecer”, disse Daniel Bueno.

Em junho de 2015, Érika Simone Soares deu o primeiro passo para reverter o sobrepeso: começou a correr. Apaixonada pela modalidade, logo envolveu esposo e filhos na atividade. Ruan César e Nathalie Soares de Lima, de 14 e 11 anos, participam da turma kids do treinador físico Danilo Faria. “Além dos benefícios que os exercícios trazem para a saúde, os meninos saem da frente do computador, entram em contato com a natureza, fazem novos amigos”, disse Érika Soares.

Deixe uma resposta