João Carlos Amaral é jornalista.  Não é especialista em MMA, mas se orgulha de torcer pelo time cujo ginásio abrigou o primeiro UFC no Brasil, em 1997.  Twitter: @metaforador

Uma notícia agitou o mundo das lutas nos últimos dias e me fez refletir bastante: o armeno-holandês (que nasceu no Irã) Gegard Mousasi deixou o UFC e assinou com o Bellator. Mas por que esta troca de casas mexeu tanto com os formadores de opinião do MMA?

Muitos encararam esta contratação como um forte aceno do Bellator em direção a ultrapassar o concorrente. Esta avaliação não é errada, mas acredito que a investida não seja sustentável.

A mudança de lar de Mousasi é sintomática porque, diferentemente de outros casos, o lutador, no auge de sua carreira, estava à beira da disputa do cinturão dos pesos-médios do UFC. Seu cartel apontava uma sequência de cinco vitórias (sendo duas sobre ex-campeões da organização e três contra oponentes do top-15).

Não foram os casos de Rory MacDonald, Ben Henderson, Phil Davis e Ryan Bader que, apesar de ainda lutarem em alto nível, viram a conjuntura de suas categorias dificultar uma possibilidade de lutarem pelo título.

Aquisições como Rampage, Tito Ortiz, Wanderley Silva, Chael Sonnen e Fedor Emelianenko (nem vou citar Royce Gracie e Ken Shamrock) seguiram a normalidade porque são personagens caros, já com pouca desportividade, mas que ainda têm apelo para atrair fãs. É como aquele clube de futebol em baixa que traz para o plantel o veteraníssimo Marcelinho Paraíba.

O UFC abrir mão de Mousasi é perfeitamente entendível. Desde que seu controle passou das mãos dos Fertitta para um conglomerado de investidores, há uma clara diminuição nos custos. Então se alguém está disposto a pagar a multa contratual, que pague.

Do ponto de vista do lutador, a mudança de ares é ainda mais fácil de entender. A curto prazo, o Bellator é mais rentável para o atleta porque não há o veto de patrocínios e as bolsas são integrais, independentemente do resultado da luta. Num esporte que vale soco na cara, tem mesmo que se pensar a curto prazo.

O que não dá para entender é o Bellator gastar os tubos para contratar o peso-médio. Apesar de excelente lutador, Mousasi tem o carisma de uma água-viva com febre. Move a mesma quantidade de músculos no rosto se ganha na loteria ou se sua casa estiver ardendo em fogo.

Por isso não é sustentável a escalada do evento liderado por Scott Coker, que já faliu o Strikeforce. O maior card do Bellator foi na Meca das lutas (Nova Iorque), teve Fedor, três disputas de cinturão e Sonnen vs. Wand, e não vendeu mais que um pay-per-view encabeçado por Demetrious Johnson. É mais fácil daqui uns anos o Bellator ser absorvido pelo UFC.

 

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