Um profissional com 30 anos de dedicação para a educação física, voltada, principalmente, para lutadores de MMA. Este é Rogério Camões, um faixa preta de judô que encontrou na preparação física, o seu grande combustível de vida. Rogerão como é tratado no meio das artes marciais e do fitness, pode ser considerado uma lenda quando assunto é a preparação de campeões. Entre as centenas de alunos famosos que já passaram pela mão do profissional ou que ainda treinam com ele, nada mais nada menos que, Anderson Silva, Vitor Belfort, Carlão Barreto, Wallid Ismail, Marco Ruas, Alan Góes, Rodrigo Minotauro, Rogério Minotouro, Antônio Pezão, Thiago Tavares, Paulo Thiago, Erick Silva, Rafael Feijão, Ronaldo Jacaré, Warlley Alves e Allan Nuguette, apenas para citar alguns. E se você pensa que aos 59 anos o professor Camões quem se aposentar está muito enganado. “Competi até os 46 anos. Nunca bebi, me dedico. Hoje mantenho meu ritmo de atleta, tenho lifestyle de vida saudável e mantendo a boa nutrição e uma boa qualidade de sono.”

Em entrevista para a Revista Bushido Brasil ele conta um pouco mais de sua vida e de sua carreira. Confira.

Revista Bushido Brasil – Para começar gostaria que o senhor você falasse ao nosso amigo leitor sua de vida e formação.

Rogério Camões – Bom eu tenho 59 anos, sou faixa preta de judô e sou profissional formado em educação física.

RBB – Quando o senhor começou na prática do fitness?       

Rogério Camões – Boa pergunta. Talvez muita gente não saiba. Não comecei no fitness e sim nas artes marciais. Com 6 anos comecei na prática do judô e logo comecei a competir e a me interessar pelos esportes de competição. Aos 19 anos me graduei faixa preta e continuei competindo até os 30. A partir daí me interessei pelo bodybuilding (fisiculturismo) e decidi mudar de esporte e me dedicar integralmente a esse novo esporte que não era tão popular como hoje.  Conquistei vários títulos entre eles o de campeão estadual no Rio de Janeiro (IFBB), campeão brasileiro (IFBB), top 2 ibero-americano e top 6 no campeonato mundial (IFBB) máster em  1998.  

RBB – O senhor tem alguém em quem se espelhou na carreira?

Rogério Camões – Eu me espelho no meu sensei, o Valquenares. Foi ele que me proporcionou uma formação marcial e educacional de ótima qualidade.    

RBB – Fora o fitness e as artes marciais tem algum outro esporte de que goste e frequente?  

Rogério Camões – Na verdade esporte é sempre bom, mas eu sempre fui muito focado no que eu praticava e continuo praticando. O último esporte que pratiquei e competi foi o powerlifiting (levantamento de peso) que comecei aos 43 anos e competi até aos 46 também ganhando por duas vezes o campeonato estadual e o brasileiro máster pela Confederação Brasileira de Atletas de Força (Conbrafa).

RBB – Você gosta de cozinhar, tomar um bom vinho e etc, ou sua vida é completamente fitness?   

Rogério Camões – Não bebo e, nem nunca bebi. Dediquei-me a treinar e competir até aos 46 anos. Atualmente mantenho o ritmo de atleta. Meu lifestyle é de vida saudável. Mantenho sempre a boa nutrição, o treinamento e a boa qualidade de sono.

RBB – O senhor começou a se envolver com MMA exatamente quando?

Rogério Camões – Comecei a me envolver ainda no vale-tudo e logo no começo do UFC de número 7. Trabalhei com lutadores como o Marcos Ruas e logo depois passei a treinar o Vítor Belford, Wallid Ismail, Carlão Barreto, Alan Góes.  Isso tudo na era do vale-tudo. No MMA foram Minotauro, Minotouro, (Antônio) Pezão, Thiago Tavares, Paulo Thiago, Erick Silva. Atualmente treino o Anderson Silva, Rafael Feijão, Ronaldo Jacaré, Warlley Alves e o Allan Nuguette.

RBB – Existe muita vaidade no meio do MMA. Tipo, lutador que acha que luta mais do que realmente luta?

Rogério Camões – O MMA é um esporte de alto rendimento. Não tem espaço para vaidades. A realidade é que tem que ter alma de lutador para sair na mão de forma verdadeira. Ninguém gosta de tomar soco na cara. Os lutadores tem que estar sempre muito concentrados e super treinados. Vida de lutador de MMA não é nada fácil. Eles têm que se privar de muitas coisas para alcançar os objetivos. Então eles têm consciência de até onde podem chegar.

RBB – Quantas horas de sono são realmente necessárias para uma boa recuperação dos lutadores?

Rogério Camões – Um atleta profissional deve dormir 8 horas no período da noite e mais 1 hora após o treino do período da manhã.        

RBB – Em sua opinião quem foi ou é o melhor lutador de todos os tempos. Dá pra falar de um?

Rogério Camões – O maior lutador de todos os tempos sempre será Anderson Silva! Ele foi o primeiro recordista em defesas de cinturão e só isso em si já diz tudo.

RBB – O senhor falou do Anderson. Qual a diferença dele para os outros atletas com quem o senhor trabalha ou já trabalhou?   

Rogério Camões – O Anderson é diferenciado como lutador e como pessoa. O Anderson lutador é um gênio.  Como pessoa é um ser humano do bem que sempre ajuda as outras pessoas.

RBB – Como funciona professor? Os atletas que te procuram ou o senhor que oferece o seu trabalho? O senhor pode me explicar um pouco dessa dinâmica?                       

Rogério Camões – Tudo acontece naturalmente. Eu nunca busquei atleta para treinar. Eu prefiro ser escolhido por eles, pois isso gera mais confiança. Ser escolhido é um privilégio. Eu tive a benção de ter alguns dos melhores atletas sob minha responsabilidade e isso me favoreceu. Foi um grande laboratório, único e exclusivo, para que eu me desenvolve-se como treinador.    

RBB – Qual a diferença no treinamento do atleta que vai lutar 5 rounds e no outro que  vai lutar 3 rounds?

Rogério Camões – Todo treinamento tem sua especificidade, no MMA, o atleta tem que estar preparado fisicamente, taticamente e emocionalmente bem. Se um dos pilares estiver em desequilíbrio certamente vai comprometer todo o conjunto da obra. Lutar 5 rounds exige o equilíbrio em saber dosar a energia de um modo para não se desgastar exageradamente. Por isso, a estratégia tem que estar definida.

RBB – Quem define essa estratégia. O senhor e sua equipe ou o próprio lutador que sente a luta no momento?

Rogério Camões – A estratégia é definida por todos os treinadores em conjunto com o lutador. Levamos meses estudando o adversário e as possibilidades para vencê-lo.          

 RBB – Já aconteceu de algum lutador, no meio de uma preparação, querer parar com tudo por não aguentar o ritmo?

Rogério Camões – O treinamento físico é periodizado e progressivo para que os atletas possam se adaptar e evoluir.  Não faz sentindo levar um atleta a  exaustão fazendo com que ele não possa completar um treino.

RBB – O senhor acha que muita exposição também pode atrapalhar? O senhor pode citar exemplos?

Rogério Camões – A exposição faz parte do mundo hoje em dia. É um Business, mas tem que ter feeling e talento para acertar. Alguns já nascem marqueteiros, outros têm que estudar e aprender a criar uma imagem que vai se tornar um produto rendável.  Esse é o momento do MMA e dos esportes de maneira geral.  Temos grandes exemplos como  Anderson Silva , Conor  MCGregor e Chael Sonen só para citar alguns.            

 RBB – Quanto tempo geralmente o senhor passa dentro da academia?

Rogério Camões – Boa pergunta. Eu vivo dentro de academia desde os 6 anos e já vou fazer 60.  São muitas horas de voo. Muita experiência e muito amor pelo que aprendi durante todos esses anos como atleta, treinador e empresário. Não troco isso por nada no mundo. Fico na academia o dia inteiro se puder.

 RBB – O senhor ainda continua na Xgym ou está em outro lugar?

Rogério Camões – Continuo sim apesar de ter vendido uma parte da academia. Ficamos só com o centro de lutas e vendemos o fitness.

 RBB – A seção onde vai sair essa entrevista se chama zen no cotidiano. O senhor se considera uma pessoa zen?   

Rogério Camões – Não. Eu não sou nada zen, mas um dos princípios que aprendi no judô e levo comigo para a vida é o princípio  do autocontrole e da autoconfiança.  Então eu sei sempre o que tenho que fazer e aonde quero chegar. Assim se luta no tatame e é assim que se luta na vida. É o respeito e a honra do samurai.        

 RBB – Deixei de perguntar algo que o senhor acha bacana falar pra quem quer começar nas lutas ou no mundo fitness?

Rogério Camões – Para quem deseja começar no esporte de uma maneira geral sendo luta ou fitness, o mais importante é a formação da base.  Isso só se consegue com uma boa escola e com bons mestres. Portanto é importante fazer essa escolha porque dela vai depender o seu sucesso.

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