A arte da cerimônia do chá é um dos mais belos espetáculos, se é que podemos chamá-la dessa forma, da cultura zen. A delicadeza, a firmeza e a concentração são de uma transcendência fora do normal.

Conhecido como Chadô ou Chanoyu, a cerimônia do chá floresceu em meio a vida monástica e a aristocracia. Ganhou grande sentido estético em meio a classe dos samurais que, como já vimos, foram os grandes defensores do zen no cotidiano.

Conta-se que o criador da cerimônia do chá foi o monge Murata Morichi Shuko (1423 – 1502), que fundou inclusive a escola Shuko. Mestre Murata tinha um problema de cansaço crônico que, por vezes, o fazia não meditar. Um médico o aconselhou a tomar chá e o resultado foi tão surpreendente que o mestre decidiu se tornar um estudioso das ervas.

“Baseado em suas práticas zen, ele desenvolveu as regras para esse caminho”, conta a escritora Vera Lúcia Sugai em “O caminho do guerreiro.”

No que tange a cerimônia em si, sabe-se, tomou, com o passar dos tempos, formas ainda mais polidas. Esta era uma cerimônia de elite, de uma elite guerreira. Os samurais.

Instituíram-se regras e o hábito de beber chá tornou-se de muita relevância para eles.

“O ritual começava ainda fora do recinto especialmente preparado. Os convidados da cerimônia caminhavam pelo jardim, passavam pelas pedras com passos firmes e tranquilos sentindo sempre a natureza que os envolvia. Todos os convidados ‘independentemente de raça, credo, nível social ou cultural são importantes e queridos para o anfitrião.’”

“Tudo na cerimônia deve evocar o amor à natureza, à pureza, ao silêncio e à tranqüilidade.”

Para escrever e conhecer um pouco mais sobre esta arte, nossa reportagem participou de um evento. Nossa experiência pessoal nesta arte foi bastante significativa, pois observamos que os atos mais singelos são importantes para a cerimônia. Todo barulho teve de ser afastado, inclusive as idéias e os pensamentos.

Podemos dizer que esse caminho é um manancial, onde as pessoas buscam forças para enfrentar um mundo tão conturbado. Ele é praticado por executivos para ajudá-los a se libertar da vida estressante. Libertação de um mundo duro, pesado e sem alma como é o dos negócios.

“O Caminho do Chá conduz o homem à condição de vislumbrar a sua transcendência e olhar as coisas da matéria de uma forma mais real, dando a importância que verdadeiramente elas tem em nossa vida. Ajuda na formação do comportamento e da atitude moral do individuo na sociedade. A sua influência é tão grande que atinge outros setores da vida, até os detalhes estéticos como na arquitetura, no paisagismo e nos objetos”, finaliza a escritora.

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