Não faz sentido um mundo dual para que se viva em harmonia. A insistência oriental na Unidade não deve ser interpretada como a afirmação de um universo estático. A unidade engloba o que existe e o que não existe. A realidade consiste no Ser e no Não-Ser, isto é, na Transformação.

A harmonia deve ser exercida em toda a sua essência. Ela deve ser vivida como um todo e não de forma repartida, como defendem filósofos como Platão e Descartes. Não há sentido nisso. Para se viver em harmonia, ou seja, viver zen em nosso cotidiano, alguns especialistas em psicologia defendem a tese de que o ser humano depende de oito fatores.

De acordo com o terapeuta Harry Tadashi Kadomoto, esses fatores são: saúde física; saúde espiritual; saúde intelectual; saúde familiar; saúde social; saúde econômico-financeira; saúde profissional; e saúde ecológica.

A unidade entre esses aspectos pode formar ou tornar pessoas simples e comuns em pessoas de grande capacidade em todos os campos da vida.

Vamos entender!

Saúde física – É difícil começar qualquer projeto se nossa saúde propriamente dita não estiver cem por cento. Do nosso físico dependem muitas coisas. Como trabalhar bem com aquela dor nas costas? Quem já não se afastou do trabalho por esse motivo? Aliás, esse é um dos motivos que mais afasta o brasileiro de seu trabalho. Dessa forma, pergunta o psicólogo Tadashi Kadomoto: “Que você tem feito para preservar sua saúde física? Nos últimos doze meses, fez um check-up? Que atividades físicas pratica para sair do sedentarismo?”

Como desenvolver nosso potencial sem um corpo sadio? Os cuidados com a nossa máquina, nosso corpo, deve ser total, pois é ele que vai nos proporcionar a energia  e a disposição para realizarmos nossas metas e os nossos objetivos. Sem um corpo sadio, nada conseguimos, a não ser algumas dores.

“A maioria das pessoas só se da conta da importância da saúde quando a perde. Aliás, por uma questão cultural, tendemos a deixar tudo para a última hora. Só vamos ao dentista, por exemplo, se o dente está doendo. Só passamos a caminhar, paramos de fumar ou praticamos esportes depois de sofrer algum problema cardíaco”, defende Kadomoto.

Fica claro então que a nossa saúde física é fundamental para que consigamos nossos objetivos de vida. No caso especifico do zen no cotidiano não é diferente, precisamos da saúde física em ordem, pois ela é um dos fatores para atingirmos a unidade.

“Se você não se cuidar fisicamente, estará se afastando de suas metas, pois elas exigem energia, disposição e garra, que são raras em pessoas de saúde debilitada”, finaliza o terapeuta sobre este primeiro item.

Saúde espiritual – Como vai sua saúde espiritual? Seja qual for seu caminho, escolha aquele que te faz melhor. Certa oportunidade, o professor Leonardo Boff participava de uma mesa-redonda onde também estava o Dalai Lama e fez a seguinte pergunta: “Santidade, qual a melhor religião?

Esperava que ele dissesse: “É o budismo tibetano” ou “são as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo.”

O Dalai-Lama fez uma pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos, o que me desconcertou um pouco, porque eu sabia da malícia na pergunta – e afirmou:

– A melhor religião é aquela que te faz melhor.”

O professor ficou perplexo e diante de tão sábia resposta voltou a inquirir:

“O que me faz melhor?

Aquilo que te faz mais compassivo. Aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável…a religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião”, respondeu e finalizou o Dalai Lama.

É bom deixar claro que existe diferença entre espiritualidade e religião, o que é algo que muita gente confunde. Para o Dalai Lama, por exemplo, “espiritualidade é aquilo que produz no ser humano uma mudança interior”, então se a religião que professamos não nos causa essa mudança, esta transformação não é espiritualidade. Já a religião é uma doutrina específica que “tenta” nos religar do Divino.

Tadashi explica. “Espiritualidade é a crença em uma força ou energia superior no universo, a certeza ou a intuição de que algo maior existe. Já a religiosidade implica seguir o caminho de uma doutrina específica.”

O professor Leonardo Boff diz que “no Oriente, a busca espiritual é sempre a busca da totalidade. É a busca da experiência da não-dualidade.” E isso, de acordo com ele equivale a dizer: “sentir-se pedra, planta, animal, estrela, numa palavra, sentir-se universo.”

Então, cultivar nossa espiritualidade em campo fértil, seja ele do Ocidente, seja do Oriente, é essencial para podermos colocar em prática nossos objetivos de vida. Não importa o meio, o que importa é o fim, mas que seja o melhor, para nos tornarmos pessoas melhores.

Saúde Intelectual – Não devemos descuidar de nossa evolução intelectual. Mas, como podemos nos manter sempre atualizados a respeito das questões que envolvem o mundo? Um dos principais métodos de reciclagem de nossa intelectualidade é cultivar o hábito da leitura. Quantos livros você lê por ano? Quantas vezes você vai ao teatro por ano? E shows, há quanto tempo não assiste um? Falta de dinheiro não é desculpa.

Evoluir intelectualmente é algo básico para sermos bem sucedidos em nossa vida. Esta evolução depende de cada um de nós. Em várias cidades existem opções de cinema, teatro e muitos outros eventos que são gratuitos.

“Devemos procurar assimilar o maior número possível de informações. Elas nos ajudaram a pensar, a sermos criativos, ampliar a visão dos fatos, estabelecer conexões e associações e fundamentar argumentos e ações. Estar bem informado evita a superficialidade, além de diminuir as chances de nos enganarmos sobre as pessoas e os fatos”, lembra Kadomoto que continua. “Assista a programas educativos na TV – são raros, mas existem -, frequente palestras, faça parte de grupos de estudo, converse com pessoas interessantes, amplie seu círculo de amizades de modo a torná-lo o mais heterogêneo possível.”

Saúde Familiar – É comum ouvirmos que uma família harmoniosa é um porto seguro e realmente isso faz muito sentido. para o terapeuta, nossos pais e nossos irmãos talvez sejam as únicas pessoas que nos viram expressar os mais variados sentimentos e emoções em diversas situações. Isso demonstra a importância da família em nossa vida. E é justamente nesse núcleo que começamos a desenvolver nossa visão de mundo.

Com isso claro temos então que dar mais valor à nossa família, entendê-la, amá-la, respeitá-la e, acima de tudo, ajudá-la no que estiver ao nosso alcance.

Quando a saúde familiar não vai bem, as pessoas tendem a isolar-se abrindo as portas da solidão, da tristeza e do sentimento de abandono. Sua história é rica, única e não pode ser apagada. Agarre a oportunidade de vivê-la da melhor forma possível.

Saúde Social – Sobre este tema Tadashi Kadomoto é bem claro. “Fazer algo pelo social é uma das mais nobres atitudes que o ser humano pode ter em sua vida. Devemos ter objetivos mais importantes do que os do nosso próprio umbigo. Fazer algo pelos outros pode ser, ainda que não saibamos, a missão de nossas vidas. Já tive a oportunidade de visitar asilos e orfanatos para tentar levar um pouco de amor e carinho àquelas pessoas. O pouco para eles já é muito e não me arrependo nem um pouco do que fiz. A sensação é maravilhosa e até de Papai Noel me vesti. Um pouco de atenção pode significar muito para quem se sente só, infeliz e esquecido. Se não temos condições de contribuir financeiramente, não devemos nos sentir envergonhados. As pessoas idosas e crianças que vivem nesses lugares necessitam mais de atenção do que de dinheiro. A boa prática para nos tornarmos melhores e, com isso, atingirmos um estado zen passa pela doação de trabalho, doação de tempo e, principalmente, doação de carinho.Se todos despertássemos para os benefícios da doação, o mundo seria menos dramático e muito mais solidário.”

Saúde Econômico-Financeira – Não gaste mais do que você ganha. Essa é uma premissa básica para quem quer ter uma boa saúde econômico-financeira. Devemos aprender a importância de ganhar dinheiro, mas mais importante do que ganhar é aprender a poupar, por mais difícil que isso possa parecer nos dias de hoje. O normal é começar poupando pelo menos dez por cento do que ganhamos e, na medida do possível, ir aumentando degrau a degrau essa porcentagem. Não é difícil, basta fazermos nossas contas sobre noventa por cento do nosso salário.

O primeiro passo para se ter uma boa saúde financeira é aceitar o dinheiro como algo positivo. Nada de encará-lo com culpa, como se o tivesse ganhado de forma indevida.

As finanças têm um peso extraordinário em nossa vida.

Em geral, a conquista de sonhos depende muito do investimento e do dinheiro. O sonho da casa própria, por exemplo, exige aprender a poupar e abrir mão do supérfluo.

Um método eficaz elaborado pelo terapeuta Tadashi Kadomoto é o da planilha orçamentária anual.

“Fazendo-se a projeção desses gastos anualmente, é possível saber na ponta do lápis onde o cinto aperta mais e o que a família precisa fazer para chegar ao sonho comum. A planilha nos põe cara a cara com nossa realidade financeira e nos deixa cientes de possíveis avanços e retrocessos. Além disso, é um instrumento de apoio em eventualidades que exijam esforço em dobro dos membros da família.”

Saúde Profissional – Nos dias de hoje é difícil trabalharmos em algo que gostamos, procuramos algo que nos dê um rendimento financeiro maior. Mesmo os que trabalham em sua área de atuação, sempre reclamam da falta de compensação financeira. Mesmo com tudo isso, deveríamos fazer apenas o que gostamos, pois é fundamental trabalhar naquilo que se tem maior afinidade. É claro que isso nem sempre é possível, mas devemos saber onde queremos chegar.

De acordo com o pensador Khalil Gibran, “o trabalho é o amor feito visível. E se não podeis trabalhar com amor, mas somente com desgosto, melhor seria que abandonásseis vosso trabalho e vos sentásseis à porta do templo a solicitar esmolas daqueles que trabalham com alegria.”

Para Tadashi, “depender de um emprego para sobreviver não impede ninguém de projetar seu sonho profissional. Talvez ele diga respeito a sua alma, e o fato de você nem sequer tentar alcançá-lo pode lhe trazer sérias frustrações e, em consequência disso, problemas emocionais e até de saúde.”

Saúde Ecológica – O fazemos para melhorar o planeta Terra? Nem mesmo a reciclagem de nosso lixo residencial fazemos, sob a alegação de falta de tempo. Sempre o tempo a nos atrapalhar. Deveríamos ir a favor do tempo, não contra ele.  Milhares de hectares da nossa Amazônia são destruídos diariamente sem que os responsáveis por essa destruição sejam punidos. O intuito da saúde ecológica é mudarmos o nosso modo de pensar, pois só assim conseguiremos mudar a cabeça do nosso vizinho, que vai mudar a cabeça do outro vizinho e assim por diante.

Quantas vezes nos pegamos criticando alguém que joga um papel de bala janela do carro e, no entanto, fazemos a mesma coisa? Devemos ter consciência ecológica.

“A consciência ecológica começa dentro de casa. Precisamos preparar alimentos saudáveis, separar o lixo reciclável, utilizar conscientemente água e luz de modo a evitar desperdícios, cuidar das plantas do quintal ou da varanda etc. Qualquer gesto de preservação ambiental, por menor que seja, faz toda a diferença no processo de conscientização ecológica. Não é porque algumas pessoas jogam papel, cigarro e outras coisas na rua que vamos fazer o mesmo. Um papel aqui, uma garrafa ali, uma lata acolá, e os bueiros ficam entupidos e os rios poluídos.O homem é causa da sua própria queda; deve e pode, por conseguinte, obter a sua própria salvação”, finaliza o terapeuta

 

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