Verificamos que um dos grandes problemas que a sociedade atual vive é justamente em relação ao sentido de vida. O tema é muito explorado hoje em dia, mas notamos que existe aqui também o problema da dualidade que tanto atormenta a sociedade ocidental. Como ter qualidade de vida?

Como vamos verificar, devemos esquecer a ideia de que existem dois mundos separados de uma vez por todas. De nada adianta procurarmos os especialistas mais conceituados e os tratamentos mais caros, se antes não nos tratarmos interiormente. Não há como ter qualidade de vida se não unirmos corpo e mente. Como já dissemos uma coisa esta ligada à outra.

Vários são os lugares que oferecem a ponte para a qualidade de vida, mas se não estivermos de bem conosco de nada vai adiantar gastar dinheiro, por exemplo.

Mas porque, afinal de contas, o ser humano é um projeto infinito?

De acordo com o professor Leonardo Boff :

“O ser humano é um ser nunca pronto, por isso não há antropologia, há antropogênese, que é a gênese do ser humano. Nessa experiência emerge aquilo que somos, seres de imanência e de transcendência, como dimensões de um único ser humano. Imanência e transcendência não são aspectos inteiramente distintos, mas dimensões de uma única realidade que somos nós.”

Podemos observar então que não existe dois seres humanos distintos, somos seres imanentes e transcendentes ao mesmo tempo. Deveríamos então aprender a lidar com essas nossas características a fim de determinar um ponto de equilíbrio em nossa vida. Neste contexto Leonardo Boff diz que somos seres de enraizamento e seres de abertura.

Para ele temos raiz como uma árvore e é ela que nos mantém firmes no chão. Em contrapartida ninguém segura nossos pensamentos, ninguém amarra nossas emoções. Então possuímos essa dimensão de abertura, de romper barreiras, de superar interditos, de ir para além de todos os limites. É isso que chamamos de transcendência. Essa é uma estrutura de base do ser humano.

Então vemos que ao conseguir transcender nossos limites, os limites que nos são impostos pela vida, conseguimos atingir a tão sonhada qualidade de vida. Não adianta nos isolarmos em luxuosos condomínios em busca dessa qualidade se o nosso coração não estiver em paz.

Isso ocorre porque somos seres que damos ao desejo a maior importância.

Para Boff, “somos seres desejantes. Talvez o desejo seja nossa experiência mais imediata e, ao mesmo tempo, mais profunda. Coisa que já Aristóteles vira e que Freud colocou como eixo fundamental para entender o motor interno humano. A nossa estrutura de base é o desejo.”

Sendo a nossa estrutura de base o desejo, verificamos que não desejamos isso ou aquilo. Na verdade queremos tudo o que esta ao nosso alcance.

“Não queremos só viver muito, queremos viver sempre. Desejamos a imortalidade. E nos frustramos, porque o princípio da realidade nos mostra que somos mortais. Vamos morrendo devagarzinho, em prestações, cada dia, até acabarmos de morrer”, lembra o professor e teólogo.

Então verificamos que o ser humano é realmente um projeto infinito, pois ele se rebela contra tudo e contra todos. Ele busca alternativas e se não as encontra briga e esperneia até achá-la.

Transcender, ir além, ultrapassar limites é o que busca todo o ser humano, por isso ele é um ser infinito, um projeto infinito. Ele não descansa nunca e busca sempre o melhor de si. Para aqueles que nada querem com a vida no geral, restam as migalhas. O ser humano deve sempre pensar alternativas e não se deixar escravizar por quem quer que seja como já dissemos.

De acordo ainda com o professor Boff não devemos nos esquecer da nossa identidade de águias e passar a viver como galinhas.

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