O zen, antes de tudo, é um conceito de vida e não é difícil entendê-lo quando tiramos as ideias pré-concebidas sobre os valores de povos diferentes do nosso interior. Aqui nossa preocupação será mostrar como este conceito pode se integrar perfeitamente dentro de nossa vida cotidiana. O que para muitos, nos dias de hoje, parece impossível, mostraremos ser possível de forma simples e cristalina.

O zen tem como objetivo principal levar seu praticante a uma experiência direta da vida em si. Mas, afinal de contas, o que é o zen? A esta pergunta, responderíamos como Julia Paula Motta de Souza Pinto que defendeu tese de mestrado na Unicamp sobre “Watsu” que é uma técnica de zen-shiatsu (massagem terapêutica) feita na piscina: “Zen é uma das escolas do budismo e, compreendê-lo através do raciocínio lógico-formal não é uma tarefa muito fácil, pois ele é, acima de tudo, uma experiência de caráter não verbal, que se revela simplesmente inacessível à aproximação puramente literal e erudita. Para saber o que é o zen, não há alternativa senão praticá-lo, no estilo: “venha e sinta por você mesmo.”

Nossa proposta com essa primeira resenha está longe de tentar atrair a “pessoa comum” a um monastério. O que se pretende aqui é mostrar que para ser zen, basta um estado de espírito com amor, paciência e, antes de tudo, compaixão pelo próximo.

Muitos dirão, isto é impossível. Nossa missão será mostrar que é possível sim, que temos capacidade sim e que basta apenas um pouco de força de vontade para atingirmos um estado zen de vida. Este é o grande desafio, pois nosso mundo ocidental vive hoje uma série de problemas relativos à falta de amor, de paciência e de compaixão. Quantas vezes damos nosso lugar no ônibus para um idoso sentar? Quantas vezes nos oferecemos para fazer algum serviço voluntário em benefício do próximo? Quantas vezes nos alegramos com a alegria dos outros sem sentir no fundo do peito uma ponta de ciúmes por aquela pessoa ter conseguido algo que não conseguimos?

No zen-budismo diz-se que para compreendê-lo deve-se desprezar os conceitos de certo e errado. Para ilustramos esses pensamentos, usaremos koans (paradoxos zen-budistas) que mostram como o zen se insere em nosso cotidiano. A cultura oriental é bastante clara de que viver pelo zen não é uma coisa separada do cotidiano.

Tomando por base os koans, podemos então realmente perceber que é possível desenvolvermos tal tema e nos aprofundarmos cada vez mais nesse universo que para muitos parece obscuro, mas que, na realidade, é uma simples maneira de viver a vida.

Feitas tais colocações, cabe-nos agora mostrar da forma mais simples possível ao nosso leitor como podemos utilizar o zen em nosso benefício. Este trabalho de pesquisa que a Bushido Brasil realizou foi fundamentado com base em teorias já comprovadas e, para o zen especialmente, podemos fazê-lo tanto na corrente filosófica da fenomenologia quanto na física quântica. Qualquer uma das duas ciências são bases concretas e pilares para o zen.

A opção pela fenomenologia se deve por ser um método de pesquisa sério e próprio das ciências humanas. Além disso, representa o rompimento com o método cartesiano e apresenta algumas semelhanças com o zen.

Já a física quântica não fica atrás em termos de representatividade para o zen, pois nos mostra de forma clara que o mundo não é e nem nunca foi estático como previa Newton. Nas palavras do físico Niels Borhm “aqueles que não ficaram chocados ao primeiro contato com a teoria quântica possivelmente não a entenderam.” Isto se deve obviamente em razão da quebra de paradigmas que a descoberta da física quântica causou.

É claro que entre a ciência e a cultura oriental existem diferenças. Porém, hoje já é possível perceber várias similaridades, algo que não se notava com a ciência do passado, quando se buscavam verdades absolutas.

De acordo com físico teórico e escritor Fritjoj Capra, “na física atômica, jamais podemos falar sobre a natureza sem falar, ao mesmo tempo, de nós mesmos.”

Sendo assim, a física quântica, já aceita há muitos anos pela comunidade científica mundial, pode também, como a fenomenologia, validar de forma clara nossa proposta que começa com essa pequena base sobre o que é o zen e a importância da sua filosofia dentro das artes marciais.

Na sequência veja as diferenças entre a cultura ocidental e a cultura oriental. Clique aqui

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