A ideia de falar quem são esses lendários guerreiros é o fato de eles serem os que levaram ao pé da letra todo o ideal do zen como filosofia de vida no cotidiano. Muitos deles eram exímios poetas, pintores, escultores e calígrafos. Tudo o que faziam era com respeito, amor e dedicação. Não se tem informação precisa de quando surgiram, mas sabe-se, no entanto, que surgiram no Japão em uma época conturbada de briga por terras. Eles eram ícones de uma sociedade rural totalmente feudal. Com o passar das décadas, a classe samurai se misturou com os altos escalões da sociedade e formou uma nova linhagem de nobres guerreiros, que mais tarde lutariam pelo poder militar e político da nação.

Os samurais eram guerreiros de elite, treinados em escolas especiais onde garotos de sete anos eram transformados em “máquinas” de luta.

Durante mais de cinco séculos, os samurais dominaram o Japão. Eram indispensáveis aos senhores e temidos pelo povo. Para a maioria da população japonesa, os samurais eram a elite do governo. De muitas maneiras, eram intimidadores e, de muitas maneiras os japoneses os viam como as pessoas vêem um governo não eleito.

Essa mistura fica bem clara no filme “O Último Samurai” (2003), que tem Tom Cruise como ator principal.

Com o surgimento dessa nova linhagem, surgiu também um novo estilo de vida conhecido como Bushido, cuja tradução literal é “militar”, “cavaleiro”, “caminho” ou “caminho do Guerreiro”.

O equivalente mais próximo do Bushido era o Cavalheirismo e a ideia de que não importa o que alguém faz se o fizer com honra, com coragem e com valor é superior. É um cavalheiro. É um samurai.

Acostumados a uma vida simples, dura e unicamente voltada ao dever, os guerreiros logo se identificaram com o zen. Homens simples, acostumados à vida do campo, aprenderam com o Tao a tornar-se como as flores, os frutos e as florestas.

Diante disso, pode-se observar que a vida do samurai era simples como continua a vida de muitas pessoas hoje em dia. Não queremos dizer com isso que as pessoas do nosso mundo moderno devem levar um estilo de vida samurai. Contudo, fica claro que não é tão complicado assim ser zen em nosso cotidiano.

O bushido tem sete princípios básicos são eles:

CHU – Lealdade e dever

Para o samurai, ter feito alguma “coisa” ou dito alguma “coisa”, significa que tal “coisa” faz parte dele. Ele é responsável por ela e por suas consequências. Um samurai é imensamente leal àqueles que estão sob seus cuidados. Para aqueles por quem é responsável, ele permanece ardentemente fiel.

MAKOTO – Sinceridade completa

Quando um samurai diz que desempenhará uma função, pode considerar tal ação executada. Nada o irá impedir de terminar aquilo que disse que ia fazer. Ele não tem de “dar sua palavra”. Ele não tem de “prometer”. Falar e fazer são a mesma coisa.

YU – Coragem heróica

Estar acima das massas de homens que tem medo de agir. Esconder-se com uma tartaruga em sua concha não é viver de maneira alguma. Um samurai deve possuir uma coragem heróica. Esta é incondicionalmente arriscada. É perigosa. É viver a vida totalmente, completamente, maravilhosamente. A coragem heróica não é cega. Ela é inteligente e forte.

GI – Honestidade e justiça

Ser extremamente honesto em todos os contatos com todas as pessoas. Acreditar na justiça, não aquela vinda de outras pessoas, mas de você mesmo. Para o verdadeiro samurai, não existem meios tons nas questões envolvendo honestidade e justiça. Só existe o certo e o errado.

MEYO – Honra

Um verdadeiro samurai só ouve a um juiz de sua honra. E este é ele mesmo. As decisões que toma e o modo como as executa são um reflexo de quem você realmente é. Você não pode esconder-se de si mesmo.

JIN – Compaixão

Por meio de um treinamento intenso, o samurai se torna mais forte e rápido. Ele não é como os outros homens. Ele desenvolve um poder que deve ser usado para o bem de todos. Ele tem compaixão. Ele ajuda os outros homens em cada oportunidade. Caso uma oportunidade não surja, ele faz todo o esforço possível para encontrar uma.

REI – Cortesia e polidez

Os samurais não têm razão para serem crueis. Eles não precisam provar sua força. Um samurai é cortês até mesmo com seus inimigos. Sem essa manifestação extrema de respeito, não somos mais do que animais. Um samurai é respeitado não só por sua força na batalha, mas também pelo modo como lida com os outros homens. A verdadeira força interior do samurai fica evidente nas horas difíceis.

Como podemos observar, o código é simples e basta força de vontade para o seguirmos. Metaforicamente, o bushido pode ser usado em nosso mundo atual da mesma forma como é usado “A Arte da Guerra”, de Sun Tsu. Os mais famosos empresários utilizam “A Arte da Guerra” nos negócios, pois seus princípios se encaixam perfeitamente no mundo capitalista.

Os princípios do bushido ficam claros na citação tirada do livro o caminho do guerreiro de Vera Lucia Sugai.

Eu não tenho pais, faço do céu e da terra meus pais.

Eu não tenho casa, faço do mundo minha casa.

Eu não tenho poder divino, faço da honestidade meu poder divino.

Eu não tenho pretensões, faço da minha disciplina minha pretensão.

Eu não tenho poderes mágicos, faço da personalidade meus poderes mágicos.

Eu não tenho vida ou morte, faço das duas uma, tenho vida e tenho morte.

Eu não tenho visão, faço da luz do trovão a minha visão.

Eu não tenho audição, faço da sensibilidade meus ouvidos.

Eu não tenho língua, faço da prontidão minha língua.

Eu não tenho leis, faço da auto-defesa minha lei.

Eu não tenho estratégia, faço do direito de matar e do direto de salvar vidas minha estratégias.

Eu não tenho projetos, faço do apego às oportunidades meus projetos.

Eu não tenho princípios, faço da adaptação a todas as circunstâncias meu princípio.

Eu não tenho táticas, faço da escassez e da abundância minha tática.

Eu não tenho talentos, faço da minha imaginação meus talentos.

Eu não tenho amigos, faço da minha mente minha única amiga.

Eu não tenho inimigos, faço do descuido meu inimigo.

Eu não tenho armadura, faço da benevolência minha armadura.

Eu não tenho espada, faço da perseverança minha espada.

Eu não tenho castelo, faço do caráter meu castelo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *