Ao contrário de outras terapias, o objetivo da meditação não é exatamente curar alguma coisa. Por esse motivo, alguns não consideram, a princípio, uma terapia. No entanto, meditar significa obter maior auto-controle e, daí, ter benefícios que já estão comprovados cientificamente. Evitar o estresse, a depressão, as doenças psicossomáticas, o diabetes, a hipertensão, a insônia, a TPM, a gastrite, entre muitos outros problemas, são consequências da meditação.

Já se foi o tempo em que meditar era hábito somente dos monges budistas. Hoje em dia, a prática cresce entre os médicos ocidentais e já está sendo aplicada em hospitais, como suporte aos métodos terapêuticos convencionais. E não é só isso, a meditação esta presente em postos de saúde da cidade de São Paulo e até na Polícia Militar do município. O objetivo é divulgar as práticas meditativas a toda comunidade, que poderá aprender a meditar gratuitamente.

A iniciativa não é sem propósito: um estudo canadense indicou que, após seis anos, os gastos de despesas com saúde entre as pessoas que praticam a meditação caíram 30%. Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, fizeram um teste entre pacientes com câncer em estado avançado. Os enfermos foram separados em dois grupos, ambos recebendo tratamentos convencionais. Contudo, apenas um deles praticou também a meditação. Nesse grupo, a sobrevida dos pacientes foi de cerca de 18 meses superior à dos que não meditavam.

“Meditar não é uma técnica de relaxamento, pois o objetivo não é somente descansar”, afirma a bióloga Elisa Harumi Kozasa, que desenvolve pesquisa sobre o assunto na Unifesp. Segundo Elisa, a meditação leva o ser humano a transcender para um estado de superconsciência, conhecido há muito tempo pelos budistas. Nesse estado, o ser humano tem:

  • Uma diminuição de cerca de 20% do consumo de oxigênio.
  • Queda do nível de lactato no sangue; esse mesmo nível sobe nas situações de estresse.
  • Liberação de endorfina, hormônio que serve de calmante natural.
  • Aumento dos níveis de serotonina, responsável pelo prazer e pela alegria.

“A meditação modifica a leitura do mundo”, garante o acupunturista Jou Eel Jia, um dos fundadores da sala de meditação do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo (HSPM). Jia também está envolvido no ensino da meditação para a PM paulistana. Outro fundador da sala do HSPM, o pediatra Norvan Leite, está ministra um curso para os médicos dos postos de saúde do bairro da Lapa, em São Paulo. “O objetivo é espalhar para as unidades da cidade inteira”, afirma. As técnicas usadas pelos dois médicos – e a mais difundida no Brasil – é a meditação Ch’an Tao, linhagem budista chinesa que recebeu o nome de Zen no Japão. O professor de meditação e religioso Moacir Mazzariol Soares explica a ligação: “Para nós, meditar é um meio para obter a iluminação, o autoconhecimento”.

Para quem quiser tentar, vale lembrar que meditar é um exercício de persistência e paciência. É uma prática que requer concentração – a mente deve ser esvaziada de todos os pensamentos, tornando-se, por alguns momentos, oca por dentro e resistente por fora, exatamente com um bambu.

É importante não confundir o estado meditativo com o sono, motivo pelo qual é recomendável que se medite sentado. O tempo médio recomendado é de 10 a 20 minutos, de preferência todos os dias. A posição de lótus, com as as mãos postas em forma de concha, as pernas cruzadas e os olhos semifechados, não é a única possível, tratando-se apenas de uma recomendação. No início, pode-se procurar um orientador para auxiliar na prática, que requer apenas um pouco de boa vontade para ser iniciada.

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