O hapkido é uma arte marcial coreana especializada em defesa pessoal. Sua base é muito usada em exércitos pelo mundo todo. A arte tem técnicas de socos, chutes, rolamentos, escapes, esquivas, torções, técnicas de alongamento e respiração e também técnicas com armas de diversos tipos como bastões, espadas, bengalas, facas, leques entre muitas outras.

Além das armas tradicionais, o hapkido também ensina os praticantes autodefesa com praticamente qualquer objeto e é uma arte marcial capaz de se adaptar a qualquer adversário.

Em Osasco cidade que fica na grande São Paulo, um jovem mestre passa os ensinamentos aprendidos em quase 30 anos de duros treinos. Erik Barbosa Barbeiro começou com as artes milenares aos 9 anos e como qualquer jovem de sua geração via em Bruce Lee uma inspiração. “Eu adorava filmes de ação e principalmente os de artes marciais. Minha mãe diz que eu ficava na frente da TV e tentava fazer tudo o que os atores faziam. Bruce Lee é uma lenda até hoje.”

Erik se tornou faixa preta de hapkido aos 15 anos, mas já ensinava a arte desde os 14. Atualmente ele é 7º Dan de Hapkido, 5º Dan de Taekwondo e Kickboxing e faixa preta 1º grau de Jiu-jítsu. Sua escola, uma das principais de Osasco tem atualmente cerca de 300 alunos e outros tantos que frequentam o local apenas para malhar o corpo nos  equipamentos também disponibilizados no local. Quem quiser conhecer,  o endereço é Rua Georgina, 73, na Cidade da Flores. O telefone é o 2765-4380.

Formado em educação física e com especialização em treinamento desportivo e preparação para lutadores, o mestre Erik bateu um papo com a Revista Bushido Brasil.

“O que o UFC faz, por exemplo, é totalmente contrário do que as artes marciais ensinam. Todos os valores marciais que a gente ensina, caem por terra no MMA. O que vende lá é a briga, o trash talk. É por isso que reality show da tanto lucro e faz tanto sucesso. ” Erik Barbeiro Fotos: Fabio Oscar

REVISTA BUSHIDO BRASIL – COMO SURGIU A ARTE MARCIAL NA SUA VIDA?
Erik Barbeiro – Desde criança minha mãe diz que o que me fazia ficar quieto eram os filmes de ação, principalmente os de artes marciais. Com 5 anos eu já pedi para o meu pai me colocar em uma academia e aos 9 ele me levou para uma de hapkido. Com 14 eu já ministrava aula e com 16 anos eu comprei minha primeira academia.

RBB– QUAL FOI SUA PRIMEIRA ESCOLA MARCIAL?

Erik Barbeiro – Eu comecei na Physical Tiger que ficava na avenida dos Autonomistas. Me formei faixa preta até o 2º Dan lá. Depois eu me desliguei deles e da federação deles. Fui treinar diretamente com um coreano que me fez amadurecer muito, principalmente no campo profissional e técnico. O mestre coreano era muito técnico e começou a me direcionar para outros campos também. Ele me deu todo o suporte de como ser um professor de arte marcial e não um professor de luta. Esse coreano e meu mestre de taekwondo me ajudaram muito. Posso dizer que antes de 1.999 eu era um e de lá para cá sou outro.

RBB- O HAPKIDO TEM VÁRIOS ESTILOS?

Erik Barbeiro – O hapkido é uma arte marcial coreana. Ela é uma arte de defesa pessoal e na Coreia a grande parte da polícia e do exército treina. Geralmente por lá eles treinam o hapkido e o taekwondo juntos. Então a parte de defesa fica com a turma do hapkido e a parte de chute e combate com o taekwondo. Hoje em dia já é um pouco diferente, mas toda a base de defesa é do hapkido. Aqui no Brasil as empresas de segurança usam muito. Existem mais de 30 estilos de hapkido. A arte já veio da fusão de escolas de estilos diversos de artes marciais. Então tinha o Tangsudo, o Iudo que é o judô coreano, tinha o Yusul que é o jiu-jítsu coreano, ou seja, uma série de modalidades. Foi então que os mestres resolveram se juntar e criar uma única escola que é o hapkido. Com o passar do tempo, cada mestre foi defendendo o seu estilo já que a arte abrange uma gama muito grande de coisas. São socos, chutes, torções, rolamentos e mais um monte de outros golpes traumáticos. Aqui no Brasil eu mesmo tenho um estilo próprio que é o Wha Moo Kwan que se encaixa no estilo tradicional. Meu mestre Park Sung Jae, que trouxe o hapkido para o Brasil tem um documento que reconhece meu estilo. Então participamos de todos os eventos ligados ao hapkido porque temos um estilo reconhecido.

RBB- O QUE FAZ O ALUNO PROCURAR A SUA ARTE MARCIAL?

Erik Barbeiro – Se eu for falar em algo bem popular, posso dizer que o nosso estilo é bem parecido com o MMA. Treinamos muito solo, golpes traumáticos no solo, chutes, socos, joelhadas. Treinamos muito forte a parte do combate, mas tem uma questão ai. Eu tento resgatar os valores marciais. Então fazemos um treino muito puxado, mas ele serve
para quem quer apenas um exercício, uma defesa pessoal ou então apenas melhorar as relações humanas. O objetivo é de cada um. Hoje os valores marciais foram deixados de lado e aqui eu resgato isso.

RBB- VOCÊ É JOVEM E TEM A FAIXA PRETA DESDE OS 15 ANOS. VOCÊ JÁ RECEBEU ALGUM TIPO DE RECLAMAÇÃO DE OUTROS PROFESSORES?

Erik Barbeiro – Reclamação nunca chegou, mas às vezes eu sinto uma discriminação. Eu acabo tendo que provar tecnicamente durante alguma reunião o que eu sei. O lado ruim disso é que julgam o livro pela capa e o lado bom é que quando você prova o que sabe, os mestres mais tradicionais passam a te defender. Conheço um coreano que não chama praticamente ninguém de mestre e eu sou uma das únicas pessoas que ele chama.

RBB- PORQUE VOCÊ ESCOLHEU O HAPKIDO?

Erik Barbeiro – Na verdade eu queria fazer kung-fu por causa do Bruce Lee. A primeira academia que eu entrei foi a do mestre Lopes aqui em Osasco. Depois fui na academia do mestre Daniel e depois eu fui no hapkido. Eu confesso que não vi uma aula, mas de alguma forma aquilo me atraiu. Não sei explicar.

RBB- EXISTE UMA ARTE MARCIAL MELHOR QUE A OUTRA?

Erik Barbeiro – Não. Cada modalidade tem algo de bom. Depende de o professor identificar no aluno o que pode tirar de melhor dele. Cada arte tem características que se bem exploradas podem ser muito bem usadas.

RBB- VOCÊ ACHA QUE O MMA MAIS ATRAPALHA OU AJUDA AS ARTES TRADICIONAIS?

Erik Barbeiro – No primeiro momento ajuda em razão da mídia. Então o que traz boa parte do pessoal para a academia hoje é o UFC. Mesmo aquela molecada que viu que a Sandy gosta de treinar. A luta do Vitor contra o Anderson foi um ‘bum’ tão grande em questão de mídia nacional que daquela época para frente a arte marcial cresceu muito. Com o aluno dentro, ai sim vem o problema. Ele quer imitar o ídolo e ai nós professores não podemos deixar. Outro dia eu estava falando isso. MMA não é arte marcial. O que o UFC faz, por exemplo, é totalmente contrário do que as artes marciais ensinam. Todos os valores marciais que a gente ensina, caem por terra no MMA. O que vende lá é a briga, o trash talk. É por isso que reality show da tanto lucro e faz tanto sucesso. Então para trazer para a academia ajuda, mas depois os alunos tem que entender que arte marcial não é aquilo que eles estão vendo na TV. Atualmente é difícil você me ver como técnico de algum aluno meu. Meu lado marcial fala muito mais alto. Eu não aceito que meu aluno provoque ou desrespeite o adversário então por isso decidi me afastar dos corners.

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